“Temos
a sensação de estar voltando no tempo”. “Parece um cenário de
filme de época”.
Quem
já não ouviu (ou falou) uma destas frases ao se referir a alguma
cidade histórica? Tento fugir de tais comentários para escrever
sobre Ouro Preto mas não consigo. Talvez porque em nenhum outro
lugar esta sensação de voltar no tempo me pareça tão verdadeira.
E forte.
Não
é só pela grandeza do casario do século XVIII, que causa muita
impressão. Ouro Preto tem um clima peculiar, marcante e a sensação
de déjà-vu ao caminhar por suas ruas, principalmente numa madrugada
tranquila, toma conta da gente.
Em todo canto há indícios da
grande riqueza que fez a cidade acontecer e também da enorme
diferença social que já existia nos tempos da antiga Vila
Rica:casas sóbrias e sofisticadas com porões escuros e úmidos;
a imponente Praça Tiradentes e Edificações como o Museu da
Incofidência, uma verdadeira fortaleza no centro da cidade e a
Igreja do Pilar com suas paredes e altares cobertos de ouro,
denunciam os tempos de fartura, época em que Ouro Preto chegou a ser
uma das maiores cidades do mundo.Há muito para se ver em Ouro
Preto. São muitas igrejas e museus, chafarizes e pontes por todos os
lados, um casario histórico enorme.
A
Praça Tiradentes é o centro da cidade e ponto de encontro de
turistas e moradores. E por falar em turistas, um pequena volta em
Ouro Preto é suficiente para escutar diálogos em inglês, espanhol,
francês, italiano, português, dinamarquês, alemão. É de chamar a
atenção a quantidade de estrangeiros que visitam o lugar de segunda
a segunda.
Mas
a cidade não é só para inglês ver, não senhor. É muito mais do
que se pode descrever neste texto ou nas fotos espalhadas por estas
páginas. É passado mas também é presente. E há que se tomar
cuidado com seu futuro. O crescimento desorganizado e o descuido
fizeram com que a Unesco ameaçasse tirar o título de Patrimônio da
Humanidade de Ouro Preto. Muito já foi feito mas ainda há muito
mais para se fazer para preservar a cidade.




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